8 de abril de 2009

Árvores do Alentejo


Horas mortas... Curvada aos pés do Monte
A planície é um brasido... e, torturadas,
As árvores sagrentas, revoltadas,
Gritam a Deus a bênção duma fonte!

E quando, a manhã alta, o sol pesponte
A oiro a giesta, a arder, pelas estradas,
Esfíngicas, recortam desgrenhadas
Os trágicos perfis no horizonte!

Árvores! Corações, almas que choram,
Almas iguais à minha, almas que imploram
Em vão remédio para tanta mágoa!

Árvores! Não choreis! Olhai e vede:
Também ando a gritar, morta de sede,
Pedindo a Deus a minha gota de água!


Florbela Espanca
In Charneca em Flor

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